Monday, April 23, 2007

De uma só vez, eu perdi todo mundo

O primeiro clarão da aurora mostra que
pouco ou nada restou do que eu chamava vida.
Fim de tarde e a morte do dia é minha única companheira.
Em meio ao nada, encontro somente lembranças.

Noite plena, o vento é o primeiro a chegar.
Lamenta comigo e chora copiosamente por mim.
A lua chega tarde, tímida e indecisa.
Seu pranto é chuva fina que me gela a alma.
Sejam bem vindos, amigos...

Com o fôlego tomado pelo medo,
ouço minha própria dor feito martelo no peito
Caminho sem rumo voltando sempre à origem:
O andar cíclico da angústia
pela omissão do amor em tempo oportuno.

Agora já não há motivos para voltar para casa.
Meus pés me levam em direção ao inatingível,
Ao inalcançável que não era, mas veio a existir.
O tudo que, a partir do nada, se criou.
Vou em direção à cura que só pode experimentar
quem, de tanto cair, já não sente dor.

O aceno de quem se vai para sempre
é o mais solitário sentimento cabível ao ser humano
Uma só vez irá experimentá-lo ao longo de toda a sua vida
e há de ser definitivo

<por Eder Costa>

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