1 - Fleet Foxes – Fleet Foxes: É notável que os arranjos vocais de canções como White Winter Hymnal trazem uma nostalgia à la Beach Boys. No entanto, mais do que isso, Fleet Foxes não é apenas saudades de um passado poético, mas se revela como a mais deliciosa novidade de 2008.
Com melodias belíssimas executadas por uma nuvem de arranjos harmonicamente ajustados sem exageros desnecessários, o álbum todo soa agradável à primeira audição, expandindo-se mais e mais, chegando a soar como um clássico. Isso apenas 6 meses após seu lançamento. Indubitavelmente o Álbum do Ano!
2 - Starflyer 59 – Dial M: Dançante e Denso. Nostálgico e Moderno. Jason Martin, a mente genial por trás do já veterano Starflyer 59, faz de Dial M, o álbum que eu esperava que o the Killer fizesse.
Infelizmente, poucos terão a oportunidade de ouvir esse excelente álbum para tirar suas próprias conclusões. Enquanto o mediano Day & Age será extensivamente tocado em ginásios e estádios ao redor do mundo, SF59 há de executar as belas canções de Dial M para um reduzido público Norte-Americano em pequenas garagens.
Embora apareça somente em listas pessoais de melhores do ano (como essa), um título que dificilmente tirariam de Dial M seria “O Álbum mais sub-valorizado do ano”
3 - TV on the Radio - Dear Science: Talvez ao lado de Animal Collective, TV on the Radio seja a banda mais original da atualidade. É facilmente perceptível que, desde as primeiras gravações em 2002, TVOTR sempre soou como uma banda a frente de seu tempo, quase futurista. Pois em Dear Science, o futuro chegou. Mais acessível que seus trabalhos anteriores, é possível vislumbrar aqui, até mesmo um certo sucesso comercial. É claro que Family Tree não vai tocar em rádios tanto quanto Coldplay e DLZ não irá substituir os maiores hits de hip-hop em comerciais de basketball, mas bem que mereciam...
4 - M83 - Saturday=Youth: Descrito pelo próprio Anthony Gonzalez como um tributo aos seus anos de infância e adolescência, esse álbum surpreende por sua sonoridade ampla. Não é a toa que o M83 foi escolhido como banda de abertura dos mega-shows do the Killers em 2009. Essa sonoridade só cabe em estádios!
Com momentos espaciais que lembram Cocteau Twins, Saturday=Youth é extremamente cultuado por fãs de shoegaze, fazendo, devido à sua versatilidade, outros álbuns do gênero lançados no ano soarem cansativos (Glasvegas?)
Pense você que sua infância e adolescência tenha sido um período bom ou mau, será inesquecível, assim como esse álbum.
5 - Kings of Leon - Only By the Night: Desde o EP Holy Roller Novocaine, o Kings of Leon tem se distanciado do confinamento de uma garagem a cada album, em direção a lugares cada vez mais amplos. Com Only by the Night, eles chegam à amplitude de um estádio. Contemporâneos e extensivamente comparados a Strokes, KoL chega a 2008 mais relevantes do que estes (e comparados por alguns a U2...???).
Digo que se continuarem mirando cada vez mais longe a cada lançamento, eu não me surpreenderia se o quinto álbum do Kings of Leon soasse espacial.
6 - Portishead - Third: Com certeza o álbum mais difícil dessa modesta lista, Third, que como o nome sub-entende é o terceiro álbum do trio, é um álbum difícil de ouvir, quase impossível de se falar a respeito, mas sentido a cada nota, a cada arranjo perfeitamente encaixado em harmonias sempre perfeitas e sofrido a cada palavra lamuriosa de Beth Gibbons.
Mais melancólico e relevante do que nunca, Portishead volta, 11 anos após o clássico álbum homônimo de 1997 com mais uma obra prima. Se tivermos que esperar mais 11 anos por outro clássico como esse, não há outro remédio senão esperar. Até lá teremos tempo de digerir esse pesado banquete de melancolia. Third é, definitivamente um álbum mais para sentir do que para entender.
7 - Bon Iver - For Emma, Forever Ago: Esse belíssimo registro fonográfico se configura, no ano, como o álbum que evoca as maiores emoções pessoais em mim. Me é impossível ouvir os falsetes de Justin Vernon, o homem por trás dessas belíssimas composições sob o nome de Bon Iver, sem me projetar ao longo de vários momentos do ano. Tendo sido um dos primeiros lançamentos do ano, esse álbum funciona como uma retrospectiva 2008, permeando momentos péssimos de solidão e momentos maravilhosos de puro romantismo. Para muitos que, como eu, deram a devida atenção a esse álbum, não é exagero prever que essas canções nos trarão lembranças de um momento específico em nossas vidas. Esse momento se chama 2008!
8 - Why? - Alopecia: Frases como "even though I haven't seen you in years, yours is a funeral I'd fly to from anywhere" e uma sonoridade quase mórbida, fazem de Alopecia o álbum mais sombrio do ano. Capaz de ser amado (e odiado em semelhante intensidade) tanto por admiradores de hip-hop quanto de Indie Rock, é inegável que esse é um álbum versátil e extremamente complexo. Também lançado no início do ano, Alopecia chega ao final de 2008 ainda indecifrável. No entanto, eu não me surpreenderia se ele chegar ao final de 2009 igualmente indecifrável.
9 - Vampire Weekend - Vampire Weekend: Quase tão comentado quanto (ou mais que) Fleet Foxes, apresenta uma trajetória semelhante, saindo de um quase anonimato para uma turnê internacional no intervalo de um ano, Vampire Weekend vem se juntar ao mesmo Fleet Foxes e a Bon Iver como o triunvirato das grandes novidades do ano de 2008.
Presente em uma série de listas de melhores do ano, admirado por público, crítica e músicos em geral (Peter Gabriel too!), não há como fugir do clichê: Vampire Weekend veio pra ficar!
10 - Wolf Parade - At Mount Zoomer: Um dos grandes problemas em estabelecer de cara um padrão muito elevado é a dificuldade de superá-lo depois.
Tendo lançado um dos melhores álbuns da década (Apologies to the Queen Mary - 2005), o grande problema enfrentado pelo Wolf Parade com At Mount Zoomer é que ele é "apenas" tão bom quanto o álbum de estréia. No entanto, basta ouvir a obra prima que encerra o álbum (Kissing the Beehive) para concluir que é injusto julgá-los mal por isso.
Se o Wolf Parade continuar produzindo álbuns apenas tão bons quanto esse, o futuro do Indie Rock está garantido.
Monday, January 05, 2009
Melhores de 2008
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